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“Esse povo que sempre conservou seu espírito alegre e descontraído manteve por outro lado sua capacidade de se indignar diante da fraude e a promessa vazia. O descaso dos políticos que dirigiam os destinos do Paraná, frente as legítimas reivindicações dos guaratubanos, levou o povo a tomar uma atitude extremada. Reunidos na casa de Joaquim da Silva Mafra, decidiram formar uma comissão para dar início a construção de uma estrada ligando Guaratuba a Garuva, com recursos próprios e a mão de obra da comunidade. Não tinham dinheiro nem máquinas para realizar a obra, mas nem por isso eles desanimaram. Com enxadas, pás e carrinhos de mão começaram a construir a rodovia a partir do Morro do Brejatuba. Cortando imensas árvores que ficavam no traçado da rodovia, retirando grandes montes de areia que era transportada em pequenos carinhos, alguns puxados por animais outros, menores, levados pelos próprios trabalhadores voluntários.
Enquanto os guaratubanos suavam a camisa na construção da estrada, no Palácio São Francisco em Curitiba, a luta da brava gente de Guaratuba era praticamente ignorada. O tempo passou, as dificuldades para levar adiante a obra aumentaram.
Somente em 1947, com a eleição de Moysés Lupion, as esperanças do povo voltaram. E com justificada razão. Lupion assumiu o governo do Paraná em janeiro de 1947 e no mês de abril visitou Guaratuba. O Governo do Estado assumiu a obra e no dia 24 de agosto de 1948, Moysés Lupion e uma grande comitiva chagam a Guaratuba pela rodovia que foi iniciada com o suor a garra e determinação de uma população acostumada a enfrentar dificuldades sem perder o ânimo” (1).
“Audácia não é imprudência, nem ousadia irrefletida, nem simples atrevimento.
Audácia é fortaleza, virtude cardeal, necessária para a vida da alma” (2).
Excelentíssima Senhora Evani Cordeiro Justus, Prefeita Municipal de Guaratuba; Ilustríssima Senhora Regina Torres, Secretária de Educação de Guaratuba; Membros da Família ISEPE: Ilustríssima Senhora Rosi Mariana Kaminski Diretora Pedagógica do Grupo ISEPE; Ilustríssimo Senhor Adilson Anacleto, Coordenador do Curso de Administração da Faculdade do Litoral Paranaense; Ilustríssimo Senhor Fabiano Cecílio da Silva, Coordenador Adjunto do Curso de Administração da Faculdade do Litoral Paranaense; Ilustríssima Senhora Professora Paulina Jagher Muniz, Integrante do Corpo Docente da Faculdade do Litoral Paranaense (Nome de Turma); e Ilustríssimo Senhor Paulo Butter, Paraninfo dos Formandos; Caros Formandos; Senhores Senhoras Familiares e Amigos dos Formandos.
Mais uma formatura e continuo com a idéia de que é a solenidade de colação de grau um grande ato de integração. Onde temos, em meio a uma sociedade cheia de anseios, de um lado os formandos e de outro seus familiares e amigos.
Comemoramos hoje o término de um período de estudo, de grande sacrifício, mas também de muita alegria. Período onde grandes amizades foram feitas, excelentes momentos foram vividos (muitas festas, brincadeiras...), muito conhecimento foi adquirido e também muita responsabilidade.
Em meio a tudo isso me considero um privilegiado, pois tive a oportunidade de viver muitos desses momentos quando nos encontramos em sala de aula, nos corredores da Faculdade e inclusive em vários momentos da vida cotidiana, especialmente em decorrência do exercício de alguma atividade profissional. Pude constatar o sacrifício de cada um de vocês e perceber a determinação de todos que hoje se consagra com essa cerimônia. Enfim, tive o privilégio de partilhar momentos dessa gloriosa trajetória.
E agora, em razão do desfecho dessa fase (a graduação), não posso deixar de externar meu profundo contentamento. É honra ser testemunha de uma história tão bonita e honra ainda maior por que tenho especial estima e carinho pelos autores dessa história: vocês.
Nesse momento reportando-me àquele que foi meu paraninfo de turma, o professor Genivaldo Silva e também pelo que ainda a pouco foi dito pelo professor Paulo Butter, prefiro não me ater tanto ao que foi essa história que vocês tão nobremente viveram, que já está firme na memória de cada um e que por seus méritos, certamente estará registrada na consciência de cada um durante toda a vida. Prefiro falar sobre o que ela representa hoje e qual o papel que essa história e seus autores (vocês) têm desse momento para frente.
Pois bem, é certo que por traz de toda glória verdadeira existe uma história de sacrifício. Parte dessa história vocês já escreveram. Honraram tudo o que foi comprometido para que vocês pudessem hoje adquirir o título de bacharéis em administração. Mas a história não acabou. Terminou uma fase, mas começa outra que não é tão importante quanto a já vivida. Acreditem. É muito mais importante.
É nessa próxima fase Caros Bacharéis, e aqui me coloco em ordem de batalha junto com cada um de vocês, que todas as suas competências e habilidades deverão ser colocadas a disposição daquela que hoje é cenário dessa cerimônia: a sociedade. É hora de utilizarem todos os conhecimentos em prol daqueles que se sacrificaram por vocês no período de graduação e também por aqueles que, mesmo não tendo participado diretamente dessa primeira fase da história, estão sedentos pela contribuição de cada um de vocês. Por aqueles que estão esperando a colocação de vocês no campo de batalha para construir um ambiente melhor, um ambiente de trabalho melhor, um ambiente social melhor, uma cidade melhor, um Brasil melhor.... um mundo melhor.
E para isso Caros Bacharéis as suas habilidades são essenciais, mas é preciso ainda mais. É preciso audácia, coragem, força, paciência, boa intenção no coração. É preciso enfim da sua atuação integral, como grandes homens e mulheres. Como homens e mulheres que por sua essência, condição e responsabilidade superam qualquer medo, se mostram indignados contra as más situações e agem positivamente para promover mudanças. Como fizeram aqueles que não se deteram ante as negativas dos Poderes Públicos e apesar de todas as dificuldades começaram sozinhos a empreitada da estrada que hoje é uma das principais vias de acesso à nossa cidade: a rodovia Guaratuba – Garuva.
É preciso empreender.
Para isso meus amigos e amigas, não esqueçam nunca das suas virtudes pessoais, aquelas que lhes foram legadas pelos pais, pelos familiares, pelos amigos e que dizem respeito a cada um de vocês enquanto homens e mulheres.
Independente da atividade que venham a desenvolver sejam homens e mulheres de virtudes. Sejam humildes, pois ninguém é mais que ninguém em qualquer casa, empresa, órgão público ou qualquer outro lugar. Sejam verdadeiros, pois tudo que é construído com falsidade não tem alicerce forte e tende a desmoronar com muita facilidade. Sejam autênticos e não se deixem levar por uma ou outra onda, pois a bondade que está fora das grandes ondas precisa de você para atingir um número ainda maior de pessoas - e estas merecem esse cuidado por parte de vocês. E sejam fortes, para seguir em frente, levar adiante os seus projetos e realizar os seus sonhos, seus propósitos.
No exercício da administração, seja na esfera privada ou pública, lembrem-se que serão verdadeiros organizadores, procurando sempre otimizar os resultados e direcioná-los ao cumprimento da função social da entidade à qual vocês estarão ligados. O resultado deve ser para o bem, seja qual for a atividade: da mais simples a mais complexa, não importando o poder econômico envolvido. Assim, se administradores de uma panificadora, que todos aqueles que compram o seu pão tenham um pão de qualidade. Se administradores de um hospital, que todos que dele precisem encontrem ali um lugar que os cure, que amenize seu sofrimento. Se administradores de uma escola que promovam não só uma formação cultural, mas também humana, que contribua especialmente para a formação de homens e mulheres de bem. Em fim, seja qual for a atividade sob a sua orientação, que seja boa e que o seu trabalho contribua para que essa atividade seja cada vez mais útil àqueles que dela precisem.
Também não se pode esquecer a capacidade e as habilidades administrativas de cada um de vocês, quando direcionadas aos seus subordinados. Nessas situações deve-se ter atenção especial eis que a atuação de cada um de vocês deve estar sempre impregnada de grande respeito e reconhecimento humano. Afinal não são os homens e mulheres que vocês estarão administrando, mas as ações desses homens e dessas mulheres. Vocês estarão dirigindo e orientando as ações de cada um deles no ambiente de trabalho de modo a melhorar o resultado da atividade desenvolvida pela respectiva instituição (empresa ou órgão público), mas nunca a pessoa de cada um deles. E isso porque quem administra a vida humana não somos nós. Quem dita o rumo da vida de cada pessoa não somos nós. Como administradores é preciso ter a certeza que estarão a orientear, tão somente, a ação daqueles cujos esforços contribuirão para que a organização alcance o seu objetivo. Com efeito, importa reconhecer cada homem como homem, cada mulher como mulher, e não como máquina. É preciso conhecê-los como seres humanos e não como objetos. Importa então oferecer-lhes ambiente digno para que mais do que a justa remuneração, queiram eles viver e honrar aquele trabalho pela dignidade que ele representa, pelo seu reflexo e contribuição em meio a toda a sociedade.
É preciso que vejam e sintam o trabalho humano como um elemento essencial para que homens e mulheres se sintam e tenham uma existência verdadeiramente digna.
Com isso meus caros Administradores, acreditem, o sucesso é conseqüência. Uma vida melhor é conseqüência. Um mundo melhor é conseqüência.
E vocês, certamente, serão felizes.
Assim, me despeço e finalizo esse discurso, rogando a Deus sucesso a todos vocês e esperando que a atuação de cada um de vocês seja sempre impregnada das mesmas virtudes e de ideais semelhantes aos daqueles homens e mulheres que iniciaram a construção da estrada Guaratuba – Garuva, que não só possibilitou melhores condições de vida aos guaratubanos como também possibilitou a união e interação vivenciada hoje no ambiente acadêmico da nossa Faculdade e da qual vocês são a maior prova: paranaenses e catarinenses estudando juntos e pensando juntos em uma região melhor.
Muita paz, muita luz, que sejam todos muito felizes e verdadeiramente AUDAZES.
Referências:
(1)JAMUR JUNIOR. Memória Caiçara : Histórias de Guaratuba. Curitiba – Imprensa Oficial, 2005.
(2)ESCRIVÁ DE BALAGUER, Josemaria. Sulco. Tradução de Emérico da Gama. 2ª ed. – São Paulo : Quadrante, 2005.
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