Caros(as) Formandos(as)
Comemoramos no último sábado, com seus familiares, amigos e autoridades que se fizeram presentes, o término de um período de estudo, de grande sacrifício, e também de muita alegria e boa convivência. Um tempo onde grandes amizades foram feitas, muitos bons momentos vividos, muito conhecimento adquirido, muita responsabilidade.
Sou testemunha disso uma vez que em muitos momentos estive presente como espectador e em outros vivenciando conjuntamente: durante as aulas que ministrei, nos momentos entre aulas nos corredores da Faculdade e na vida cotidiana - quando no exercício de alguma atividade profissional ou mesmo acadêmica fora da sala de aula. Constatei o sacrifício de cada um de vocês e a determinação durante essa magnífica trajetória que se coroou com a cerimônia de colação de grau.
Sou feliz por ter participado disso e, de modo especial, pelo carinho e respeito que tenho por cada um de vocês e suas famílias.
Pois bem, concluída essa fase, com todo o brilho já dito, é preciso ter em conta que se inicia outra fase, onde vocês terão um papel decisivo. E aqui não posso deixar de fazer as minhas recomendações. E faço essas recomendações considerando parte da história vivenciada por vocês durante esse período acadêmico que hoje se encerra. Esse período que foi cercado de sacrifícios por parte de cada um de vocês, mas que vocês superaram tendo por base e apoio, somente aquilo que estava ao lado e ao alcance de vocês. Esse apoio, serviu, foi bem utilizado e lhes possibilitou vencer aquele momento, aquela dificuldade que se apresentava.
Na vida de cada um de vocês será assim. Existirão dificuldades e vocês terão que superá-las. Terão, para isso, que usar as habilidades adquiridas, mas, especialmente, as virtudes que formam a pessoa de cada um de vocês e percebendo sempre o que a vida lhes colocará a disposição nas ocasiões de dificuldade, de provação.
Valendo-me de uma situação comparativa, mas real, me recordo agora da primeira vez que levei um grupo de alunos da Faculdade para auxiliar o Grupo Amigos do Mar da comunidade de Caieiras em um acampamento infantil de formação que acontecia na localidade chamada Salto do Parati. Eu e os acadêmicos do então curso normal superior (hoje pedagogia) tínhamos a incumbência de realizar algumas tarefas pedagógicas com as crianças e em outro momento orientar e cuidar das mesmas em uma caminhada até uma cachoeira muito bonita que existe no local. Me chamou a atenção e muito me marcou uma situação ocorrida em um trecho da caminhada já bem próximo da cachoeira. Estávamos prestes a começar uma descida muito forte, muito íngreme e que exige muito cuidado. Percebi no olhar de três crianças que estavam comigo um pouco de medo para seguir adiante. Pedi que as crianças chegassem bem próximo e perguntei-lhes de uma forma muito tranquila e olhando nos olhos de cada um: vocês conseguem ver o caminho? E um deles rapidamente e estalando um olhar de surpresa e alegria me disse: “Nossa que legal! As árvores fizeram uma escada para nós!” Eram as raízes das árvores que presas no chão, mas expostas, serviam de apoio aos pés, formando uma verdadeira escada e dando segurança a todos que desciam até a cachoeira. Imediatamente e com expressão de muita segurança e entusiasmo, retomamos a caminhada e seguimos até a cachoeira.
O fato tem me servido de orientação e estímulo, além de uma lição muito verdadeira. E digo isso porque em muitas ocasiões de nossas vidas, quando nos vemos com receio de enfrentar determinada situação ou mesmo seguir adiante em um determinado projeto, o apoio que precisamos está muito perto de nós. Basta que consigamos descobri-lo, percebê-lo. E isso é uma arte. Quantas vezes meus caros Bacharéis, vocês, em suas vidas, não imaginaram que não iriam conseguir, que não poderiam seguir adiante, se preocuparam e de repente a solução, o apoio para vocês superarem aquela dificuldade surgiu. E de algo ou alguém que estava muito próximo de vocês. A isso eu acrescento: mantenham o espírito de vocês com bons objetivos, com boas ações, tenham bons projetos, boas metas que tudo irá conspirar a favor de vocês, especialmente as coisas e as pessoas que estão ao seu lado, que têm raízes onde você se encontra. Elas precisam das raízes tuas e, para o bem, te oferecem as delas.
No mais, considerando esse momento, recomendo força... Fortaleza. É no início da caminhada que devemos ter em conta a necessária noção de que a força é que nos fará continuar a marcha, vencer os obstáculos e atingir os objetivos propostos. É preciso conhecer, desenvolver e guardar essa virtude para que vocês sejam na sociedade como verdadeiras colunas: fortes e capazes de suportar as tormentas da vida, sem sucumbir diante de qualquer infortúnio. Como coluna deve ser a personalidade de cada um de vocês: forte, que não sede diante de situações difíceis.
O Cânon 1808 do Catecismo da Igreja Católica, apresenta essa virtude como sendo “a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa.” É virtude que deve impregnar a personalidade humana.
O Professor Rafael Llano Cifuentes do Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro , citando uma interessante metáfora apresentada por Balmes , afirma o seguinte:
“...toda a autêntica personalidade deveria ter a cabeça de gelo, o coração de fogo e os braços de ferro.
‘Cabeça de gelo’, que se guia por idéias claras, transparentes, frias como todo raciocínio límpido, depurado da amálgama emocional.
‘Coração de fogo’, sentimentos e amores ardentes que recolhem e canalizam toda a imensa riqueza afetiva do nosso ser, que impregnam o frio raciocínio de calor humano e de entusiasmo vibrante, capaz de despertar todas as energias da alma.
‘Braços de ferro’, instrumentos que levam à prática essas idéias lúcidas, inflamadas na fornalha do coração; a potencialidade motora que impulsiona a realização eficiente e perfeita das concepções teóricas elaboradas pela mente.
Este tripé, quando harmonicamente equilibrado, forma o eixo de uma personalidade forte.”
Essa virtude, afirma o professor é “indispensável para vencermos o temor natural produzido pelos perigos ou pelas apreensões negativas em relação ao futuro; imperiosa para guardarmos a serenidade em face das atividades estressantes, das agressividades, das solicitações irritantes; imprescindível para superarmos as carências físicas e afetivas, os obstáculos e as contrariedades que continuamente nos assaltam; e fundamental para persistirmos na luta cotidiana diante do caráter repetitivo do trabalho, da monotonia do dia a dia, do cansaço e do desânimo. Precisamos de uma sólida estrutura para ultrapassar as incompreensões, as injustiças, as infidelidades, as crises existenciais e o fracasso; e especialmente necessitamos de uma grande firmeza de ânimo para enfrentar a dor, a separação dos entes queridos, a doença e a perspectiva da morte. Não há, pois, dúvida que faltando a fortaleza, a personalidade se desintegra.”
E para o zelo com essa virtude trago os ensinamentos do sacerdote norte-americano Leo J. Trese que afirma que a fortaleza “inclina-nos a fazer o bem apesar das dificuldades.” Entretanto, continua, ela “não poderá atuar, nem mesmo nas pequenas situações que exijam coragem, se não tirarmos as barreiras levantadas por um conformismo exagerado, pelo desejo de não aparecer, de ser ‘da multidão’. Essas barreiras são o temor irracional à opinião pública (a que chamamos respeitos humanos), o medo de sermos criticados, menosprezados ou, pior ainda, ridicularizados.”
Independente da atividade que venham a desenvolver sejam homens e mulheres de virtudes. Sejam humildes, pois ninguém é mais que ninguém em qualquer casa, empresa, órgão público ou qualquer outro lugar. Sejam verdadeiros, pois tudo que é construído com falsidade não tem alicerce forte e tende a desmoronar com muita facilidade. E sejam fortes, para seguir em frente, levar adiante os seus projetos e realizar os seus sonhos, seus propósitos.
A fortaleza é virtude essencial para os homens e mulheres livres e de bons costumes.
Caros Bacharéis, que vocês cresçam fortes, como verdadeiras colunas. Que vocês reconheçam o espaço onde estão as suas raízes porque aí sempre terão e serão verdadeiros apoios na caminhada. Que sejam felizes e vivam intensamente essa magnífica jornada que se inicia.
Por fim caros(as) formandos(as) lembro que algumas vezes ouvi pessoas dizerem que palavras passam como o vento, que as pessoas se esquecem delas. Ponderei. Mas não posso concordar.
Em uma homilia ouvi o Sacerdote Francisco Santos Lima Lima, atual pároco de nossa cidade, que, citando um sábio filósofo, disse: "As palavras ficam no coração, quando são ditas de coração." Ponderei. Verdade. Concordo plenamente.
Senhoras e Senhores, as palavras que lhes dirigi no dia da colação e nessa mensagem, são palavras do coração.
Muita paz, alegria e sucesso na vida de todos vocês.
Caro amigo Edmundo Sadzinski Junior. Peço que repasse a mensagem aos demais eis que não tenho o contato de todos.
Um forte abraço a todos.
Luiz Antonio Michaliszyn Filho
DG ISEPE-Guaratuba.
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